Podia hoje estar, na qualidade de cidadã, a comentar o mau gosto, a ignorância e a intolerância que revela a campanha do Bloco de Esquerda cuja assinatura ‘Jesus também tinha dois pais’ revoltou, e bem, grande parte dos portugueses. Mas vou deixar essas críticas para as minhas páginas pessoais.
No ‘Food for Thought’ vou avaliar o desastre da campanha do BE do ponto de vista de comunicação.

As organizações, quer sejam públicas ou privadas, lançam campanhas de publicidade quando querem passar uma mensagem e/ou quando pretendem influenciar as ideias ou os comportamentos dos seus públicos-alvo. Ou seja, se o Bloco de Esquerda tivesse lançado uma campanha no momento que precedeu a votação do projeto-lei que consagrou a possibilidade de co-adopção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo uma campanha (e não esta) faria todo o sentido.

Tal não aconteceu. Só depois da aprovação da referida lei este partido tomou a iniciativa de lançar uma campanha digital de defesa, ou melhor de promoção, da co-adoção de crianças pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo.

Se os objetivos do BE relativamente ao tema estavam já cumpridos, qual então o intuito desta campanha? Procurar mostrar a necessária diferença entretanto roubada pela aprovação de um Orçamento de Estado e de um conjunto de medidas económico-financeiras que prolongam a austeridade e que contrariam a cartilha da extrema-esquerda? Mostrar que o partido tem criativos ‘in house’? Mostrar que tem graça à custa da fé de alguns milhões de Portugueses? Porque está a candidatar-se a uma rubrica no Charlie Hebdo?

Enfim, deixo ao leitor a incerteza da resposta, mas a certeza de que esta ação não é mesmo uma campanha de publicidade. É uma ação de Relações Públicas criada especificamente para marcar a agenda mediática. Foi de mau gosto, mal conseguida, criou uma cisão interna e uma grande dor de cabeça ao principal parceiro desta coligação informal já que, sendo um partido que acolhe filiados e simpatizantes católicos, fica a sentir o peso de quem fez um pacto com o diabo. Acresce que, numa altura em que o país debate um documento essencial para o destino dos portugueses, o Bloco de Esquerda perder tempo com manobras de diversão não lhes faz bem à imagem.

Não valeu a pena! E se alguma dúvida tivessemos de que a agenda politica e mediática do Bloco de Esquerda apenas se alimenta das questões fraturantes, hoje ficaríamos esclarecidos.

Haja Deus!

Domingas Carvalhosa

Managing Partner Wisdom Consulting

Administradora Lift World

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